Análise do filme: Obrigado Por Fumar.

O filme passa uma idéia inicial de que será um meio de fazer com que as pessoas vejam o cigarro como algo ruim. Sendo que a primeira idéia que o filme transmite é que será uma campanha antitabagista. Cheio de simbologia, Obrigado por fumar, apresenta também muitas curiosidades que mechem com o imaginário do telespectador, como por exemplo, o fato de que nenhum personagem, em momento algum, é visto fumando num filme cujo principal assunto seria o cigarro. Vimos, também, que ele é feito com bastante contraste e utilizando bastantes cores quentes, em evidência o vermelho, que nos faz lembrar o fogo e ao mal, ligando assim, ao que seria o tema do filme (cigarros). Nessa questão das cores, podemos ver que eles enfatizam mais ainda em certos momentos, como quando os Mercadores da Morte se unem para um lanche, no ambiente que seria um restaurante. Isso porque eles querem simbolizar o mal, porque os três (Nick Naylor, Poll Bailey e Bobby Jay Bliss) trabalham para organizações diferentes, mas que são vistas como maléficas para a sociedade. Outro exemplo que podemos citar é quando Nick encontra-se com o padrasto de Joey e ambos caminham até a calçada. Notamos que a roupa de Nick é escura com a gravata vermelha e o outro se veste com um jaleco branco e uma gravata azul. Novamente a “sacadinha” do bem e o mal, pois nesse momento, o padrasto de Joey fala com Nick que o seu produto é ruim.  Podemos citar muitos outros momentos em que as cores no filme são usadas como artifícios para definir a “imagem” do personagem, outro exemplo é quando Nick, que em quase todo filme usa vestimentas escuras e de cores quentes, vai ao parque com seu filho. O lobista deixa os tons carregados de lado e usa uma blusa azul, dando a entender que naquele momento ele é uma pessoa boa (não que ele não seja no decorrer de todo filme), ou ainda, que ele está num momento feliz da vida, passeando com seu filho no parque. Como o filme, inicialmente, seria uma maneira de mostrar ao telespectador que o cigarro é maléfico a saúde, Nick é seqüestrado no decorrer do filme, é nessa hora que ele passa a ser vítima da história, fazendo-nos perceber a mudanças dos tons de cores utilizados no filme. Nesse momento, as cores ficam mais frias, o ambiente fica, digamos, azulado, dando a idéia de que agora Nick está sendo do bem. Também outro fator é que como ele poderia ter morrido, o azul dá a idéia de céu, além. Tanto é que depois do acontecimento, a primeira vez que Nick aparece com o MDM, é numa lanchonete que aparenta ser de hospital, cheia de cores neutras.

Outro artifício usado no filme são as mensagens sublimares. Como quando Nick encontra o capitão. Como o lobista é o narrador do filme, ele solta a seguinte frase: “O capitão é um homem que tem tudo, menos um filho, é claro.” A afirmação seguida da expressão, é claro, faz o telespectador se questionar e obter a resposta de que o capitão não é pai, em razão do uso de cigarro, que como muitos sabem, pode causar impotência sexual. Outras duas vezes que podemos nos intrigar quanto ao que pensarmos são na hora em que Nick está ajudando Joey a fazer o dever de casa e na hora que o MDM está comendo um lanche “americano”. Na primeira cena, o menino pergunta ao pai por que o governo norte americano é o melhor do mundo, e Nick diz que não é bem assim e que talvez seja o pior. Podemos notar que talvez, isso faça alguma crítica ao governo, é para o telespectador interpretar como sua cultura diz e pensar se realmente, os EUA é o melhor em questão de governo. Na outra cena citada, em que os três amigos estão comendo no restaurante, e o foco da cena é o prato que eles estão apreciando, é algum tipo de queijo com uma pequena flâmula norte americana sobreposta em sua superfície. E Nick pronuncia a seguinte frase: “É nojento, é americano”. E ficamos na nos questionando, o que é tão asqueroso, nojento? O prato que os amigos estão apreciando, ou o fato dele ser americano? O pode-se entender em relação a isso é que existe uma crítica, sutil, em relação à manipulação do governo sobre a opinião pública. Outro ponto de crítica, que podemos perceber, é em relação ao discurso de Nick,q eu utiliza o termo “liberdade pessoal” para que as pessoas utilizem o cigarro. Essa é a mesma frase que o governo de Bush discursa para responder as muitas de suas ações.

Podemos notar que Joey, assim como muitas outras crianças do nosso cotidiano, vê seu pai como uma espécie de herói, de mito, Deus. O garoto do filme se interessa muito pelo trabalho de seu, que começa a usar do poder de argumentação tanto com sua mãe, quanto na escola. Segundo Juremir Machado, a construção do imaginário individual se dá, basicamente, por reconhecimento de si no outro – identificação; desejo de ter o outro em si – apropriação; reelaboração do outro para si – distorção. O Menino Joey vê seu pai sendo criticado pelo trabalho que faz, vê-o sendo seqüestrado, quase sendo morto, entre outras coisas que podem confundir a cabeça de um garoto. Mas tudo isso não impede que Joey veja um ser fantástico dentro de seu pai e de querer ser como ele, tanto é que em uma das cenas finais, podemos entender que Joey aprendeu algo “bom” (porque Nick foi visto como um “vilão” por muitos) com seu pai. O garoto ganha o prêmio Sociedade de Debate, mas não o vemos debatendo para vencer tal prêmio, apenas em outras partes do filme, como a hora em que ele convence sua mãe a deixá-lo ir viajar com seu pai para a Califórnia e quando ele vai defender a tese “Por que o governo norte americano é o melhor do mundo”.

Outra parte do filme que nos faz pensar é quando Nick diz ao filho sobre o sorvete de chocolate: “Suponhamos que você defenda o sorvete de chocolate; eu, o de baunilha. Você dirá que o seu é a melhor coisa do mundo. Eu direi que a melhor coisa do mundo é poder escolher entre chocolate e baunilha.” E o menino diz: Mas com isso você não me convenceu de que baunilha é melhorMas eu não quero te convencer, quero só provar que estou certo e você errado, retruca o pai. Muitos nem percebem que a cena a seguir, onde ambos estão na roda gigante, Nick e Joey tomam sorvete de baunilha. Outra artimanha para defender o poder da argumentação e mexer com o imaginário de quem assiste.

Segundo Denis Moraes, professor da Universidade Federal Fluminense, o imaginário social é composto por um conjunto de relações imagéticas que atuam como memória afetivo-social de uma cultura, um substrato ideológico mantido pela comunidade. Trata-se de uma produção coletiva, já que é o depositário da memória que a família e os grupos recolhem de seus contatos com o cotidiano. E conforme Bronislaw Baczko, é por meio do imaginário que se podem atingir as aspirações, os medos e as esperanças de um povo. É nele que as sociedades esboçam suas identidades e objetivos, detectam seus inimigos e, ainda, organizam seu passado, presente e futuro. O imaginário social se expressa por ideologias e utopias, e também por símbolos, alegorias, rituais e mitos. Tais elementos plasmam visões de mundo e modelam condutas e estilos de vida, em movimentos contínuos ou descontínuos de preservação da ordem vigente ou de introdução de mudanças. Cada cultura tem uma leitura diferente do filme: eu acredito que a mensagem principal dele seja o poder de argumentação e que Nick, não é o vilão e sim uma vítima de todo o enredo do roteiro, já outro colega pode entender o filme como um método de convencer as pessoas a pararem de fumar e que o Senador Finistirre é o grande mocinho do filme. Outro exemplo que meche com o imaginário do telespectador é quando o mesmo senador decide por mais um aviso de que os cigarros são maléficos a saúde, colocando assim, adesivos de veneno nos maços de cigarro.  No imaginário pessoal, muitos vão pensar que se existe aquele símbolo no produto, certamente ele é perigoso, e pode destruir a vida assim como outro veneno qualquer.

Voltando a cena em que Nick diz que o capitão não teve um filho, ficou nos claro que é devido ao cigarro, ou faz uma ligação a isso, mas em outro momento do filme, o capitão diz ter uma neta cuja própria lhe perguntou por que o cigarro faz mal. Daí fica-nos a dúvida, será que o capitão não teve um filho homem e apenas filha mulher? Porque daí faria a ligação de que antigamente os pais deixavam as posses nas mãos dos filhos do sexo masculino, até porque o capitão já é um homem de idade, pelo se que percebe. Ou talvez seja apenas um erro do filme, o que seria muito improvável, mas não impossível.

As pessoas ligam as imagens aos significados que elas dão para suas mentes, como por exemplo, o símbolo do veneno no cigarro. Outro ponto do filme que fica faz-nos questionar é o momento em que a repórter aparece fazendo uma matéria em meio ao temporal. O que ela fez para merecer tal trabalho? Faz nos pensar que um trabalho quando não usamos ética em nossos trabalhos, quando fazemos o “mal”, somos castigados. A questão de sermos punidos por atos ruins vem da crença que temos um ser superior. Nossa cultura nos diz isso, desde antigamente com toda a mitologia grega e romana, até futuramente, quando, possivelmente toda essa religião atual poderá virar mito também. Isso faz com que o imaginário da pessoa acredite que a repórter foi castigada porque foi desonesta com Nick e usou de seu corpo e sua sedução para obter sucesso e destruir a imagem de Nick.

Segundo José D’Assunção Barros a História do Imaginário estuda essencialmente as imagens produzidas por uma sociedade, mas não apenas as imagens visuais, como também as imagens verbais e, em última instância, as imagens mentais. O Imaginário visto como uma realidade tão presente quanto aquilo que poderíamos chamar de “vida concreta”. Esta perspectiva sustenta-se na idéia de que o imaginário é também reestruturante em relação à sociedade que o produz. O imaginário mostra-se desta forma uma dimensão tão significativa das sociedades humanas como aquilo que corriqueiramente é encarado como a realidade efetiva.

Bom, pode se dizer que o filme tem muitas peculiaridades e apelos subliminares, é um filme que explora um ótimo assunto, mas faz isso de modo “disfarçado”, não percebemos na primeira impressão qual o principal discurso do filme. Sem falar que ele aproveita para questionar muitos outros temas polêmicos.


Comunicação Social – Publicidade e Propaganda – 4º semestre

Disciplina: Comunicação Comparada

Professor: Diego Piovesan

Acadêmica: Camila Alves Silvano

Amanhã, Análise dos personagens.